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Assinei Uma Proposta de Compra de Imóvel e Desisti

há 11 minutos
4 min de leitura

A compra de um imóvel envolve compromissos e possíveis consequências jurídicas. Por isso, dúvidas podem surgir quando o comprador assina uma proposta, mas depois decide desistir ou não consegue prosseguir com o negócio. 


Nessa situação, é importante analisar o documento assinado, o pagamento de sinal ou arras e o estágio da negociação. 


As circunstâncias da desistência também podem influenciar os direitos e deveres das partes.


Desistência de compra de imóvel
Veja como prosseguir após desistência da compra de imóvel após assinatura.

Assinar uma proposta de compra de imóvel significa que o negócio já está fechado?

Nem toda proposta assinada produz exatamente os mesmos efeitos de um contrato definitivo. 


Para saber se houve efetivamente a formação do negócio, é necessário analisar o conteúdo do documento, especialmente as condições estabelecidas, a aceitação pelo vendedor e a existência de cláusulas que indiquem compromisso entre as partes. 


Uma proposta pode estabelecer preço, forma de pagamento, prazo e outras condições essenciais, podendo adquirir relevância jurídica conforme o caso. 


Portanto, não basta observar apenas o título do documento: o conteúdo e as circunstâncias da negociação são fundamentais para determinar quais consequências podem surgir com a desistência.


Posso desistir depois de assinar a proposta?

A possibilidade de desistência depende principalmente do que foi acordado entre comprador e vendedor. 


Se o documento estabelecer expressamente uma condição de arrependimento, suas consequências deverão ser analisadas conforme essa previsão. 


O Código Civil estabelece, por exemplo, que, quando houver direito de arrependimento expressamente convencionado, as arras ou o sinal possuem função indenizatória: quem deu o sinal pode perdê-lo, enquanto quem o recebeu deverá devolvê-lo mais o equivalente, conforme as circunstâncias previstas no artigo 420.


Art. 420. Se no contrato for estipulado o direito de arrependimento para qualquer das partes, as arras ou sinal terão função unicamente indenizatória. Neste caso, quem as deu perdê-las-á em benefício da outra parte; e quem as recebeu devolvê-las-á, mais o equivalente. Em ambos os casos não haverá direito a indenização suplementar.


O que acontece com o sinal ou as arras se eu desistir?

O pagamento de sinal não significa, automaticamente, que qualquer quantia poderá ser retida sem análise do contrato. 


As arras possuem disciplina própria no Código Civil e sua função depende da forma como foram estabelecidas. Quando existe direito de arrependimento expressamente previsto, aplica-se a regra do artigo 420. 


Por outro lado, quando o sinal possui função de confirmar o negócio, as consequências do descumprimento devem ser avaliadas conforme a natureza das arras e as demais cláusulas contratuais. 


Assim, antes de aceitar a perda automática do valor pago, é importante verificar exatamente o que foi pactuado.


A desistência pode gerar multa ou outros custos?

Sim, dependendo do documento e da natureza do negócio. Uma cláusula penal pode estabelecer consequências para o descumprimento, mas sua validade e eventual aplicação precisam ser examinadas de acordo com o contrato e com a legislação aplicável. 


Em incorporações imobiliárias submetidas à Lei nº 13.786/2018, por exemplo, existem regras específicas para o desfazimento provocado pelo comprador, incluindo limites para a pena convencional e outras possíveis deduções. 


A legislação estabelece, como regra, limite de 25% da quantia paga, podendo haver hipótese legal de percentual superior em empreendimentos submetidos ao patrimônio de afetação.


E se o imóvel for comprado diretamente de uma pessoa?

Nas negociações entre particulares, a análise pode ser diferente daquela aplicável à aquisição de imóvel na planta diretamente de uma incorporadora. 


Nesse cenário, devem ser examinados o conteúdo da proposta, eventual contrato ou compromisso de compra e venda, as condições estabelecidas e a existência de sinal ou arras. 


Também é necessário verificar se houve aceitação da proposta e se as partes já haviam definido os elementos essenciais do negócio. 


Portanto, não é possível afirmar previamente que o comprador perderá o sinal ou estará obrigado a pagar determinada multa sem conhecer o documento assinado e as circunstâncias concretas da negociação.


O comprador pode recuperar parte dos valores pagos?

A possibilidade de restituição depende da causa do desfazimento e das regras aplicáveis ao contrato. 


Em negócios submetidos ao Código de Defesa do Consumidor, quando o encerramento ocorre por responsabilidade do vendedor ou construtor, os valores pagos podem ser devolvidos integralmente. 


Já quando o comprador provoca a desistência, a restituição pode ocorrer de forma parcial, conforme as condições previstas no contrato e a legislação aplicável. 


Assim, identificar quem deu causa ao desfazimento é essencial para definir os valores eventualmente recuperáveis.


O que devo fazer depois de desistir da compra do imóvel?

O primeiro passo é comunicar formalmente a outra parte sobre a intenção de não prosseguir com a negociação, preferencialmente utilizando um meio que permita comprovar o conteúdo e a data da comunicação. 


Em seguida, é importante reunir a proposta assinada, comprovantes de pagamento, mensagens, e-mails e demais documentos relacionados à negociação. 


Antes de assinar um distrato ou concordar com descontos, recomenda-se verificar cuidadosamente as cláusulas referentes à multa, sinal, corretagem e restituição. 


Em determinadas situações, uma análise jurídica prévia pode evitar que o comprador reconheça obrigações ou aceite condições que posteriormente poderiam ser questionadas.


Conclusão

Assinar uma proposta de compra de imóvel e depois desistir pode gerar diferentes consequências jurídicas. 


O resultado depende do conteúdo do documento, da aceitação da proposta, da existência de sinal ou arras, de eventual multa e do tipo de negociação. Contratos com incorporadoras também possuem regras específicas.


Por isso, é importante analisar a documentação antes de aceitar qualquer consequência.


É importante lembrar que as informações aqui apresentadas não substituem a orientação jurídica personalizada, e para obter informações mais detalhadas sobre o assunto tratado neste artigo, é aconselhável consultar um advogado especialista. 


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