Como Passar um Ponto Comercial?
- Mota Tobias

- 26 de dez. de 2025
- 4 min de leitura
Passar um ponto comercial é um processo que costuma gerar muitas dúvidas, especialmente porque envolve elementos imobiliários, empresariais e jurídicos ao mesmo tempo.
O negócio pode parecer simples à primeira vista, mas apenas uma transferência formal bem estruturada garante segurança para o vendedor e para o comprador.
Antes de decidir sobre o trespasse, é essencial compreender como funciona a venda do estabelecimento, quais documentos são necessários e como a legislação regula a transferência.
Somente assim é possível evitar riscos e assegurar uma negociação protegida.

O que realmente significa passar um ponto comercial?
Passar um ponto comercial consiste na transferência do estabelecimento empresarial de um titular para outro, abrangendo não apenas os bens físicos, como equipamentos, móveis e instalações, mas também os elementos imateriais que dão valor ao negócio, como a clientela, a reputação e a organização da atividade.
Juridicamente, esse procedimento é conhecido como trespasse e envolve a transmissão de um conjunto econômico já estruturado.
Por essa razão, não se trata de uma simples venda isolada, mas da continuidade de uma atividade empresarial organizada, que exige formalização adequada para produzir efeitos perante terceiros e garantir segurança jurídica às partes envolvidas.
Qual a importância de analisar o contrato de locação antes da venda?
Como o ponto comercial está localizado em um imóvel que pode ser alugado, é indispensável verificar o contrato de locação antes de negociar a transferência.
Isso ocorre porque muitos contratos exigem autorização do proprietário do imóvel para ceder ou transferir o ponto.
A ausência dessa anuência pode gerar nulidades, impedir a continuidade do negócio e até resultar em despejo.
Assim, antes mesmo de assinar o contrato de compra e venda do ponto, é fundamental alinhar condições com o locador, garantindo segurança jurídica e evitando problemas para ambas as partes.
Quais cuidados tomar antes de negociar o ponto comercial?
A etapa prévia à venda exige análise detalhada da situação fiscal, contábil e jurídica do estabelecimento.
É essencial verificar se há dívidas tributárias, trabalhistas ou cíveis vinculadas ao negócio, pois o comprador pode assumir responsabilidades caso não examine corretamente a documentação.
Além disso, é importante listar todos os bens que compõem o fundo de comércio, avaliando equipamentos, estoque e benfeitorias realizadas no local.
Essa verificação impede surpresas futuras e auxilia na definição de um preço justo, considerando tanto o patrimônio visível quanto o potencial de lucro do negócio transferido.
Como formalizar a transferência do ponto de forma correta?
A transferência do ponto comercial deve ser formalizada por meio de um contrato de compra e venda do estabelecimento empresarial, também conhecido como contrato de trespasse.
Nesse documento, é indispensável a descrição detalhada do ponto, abrangendo os bens materiais e imateriais, o valor ajustado, a forma de pagamento e as responsabilidades assumidas por cada parte.
Para que a transferência produza efeitos perante terceiros, o contrato precisa ser averbado na Junta Comercial e publicado, garantindo transparência e ciência aos credores.
Essa etapa é fundamental para assegurar a validade do negócio, evitar questionamentos futuros e delimitar corretamente as obrigações relacionadas ao estabelecimento transferido.
O que fazer sobre licenças, CNPJ e responsabilidades após o trespasse?
Após a assinatura do contrato de trespasse, inicia-se a etapa de regularização administrativa do negócio.
Dependendo da forma como a operação foi estruturada, pode ser necessária a transferência de alvarás de funcionamento, licenças sanitárias, autorizações municipais e demais registros perante os órgãos competentes.
Quando a negociação envolver a venda da empresa como um todo, e não apenas do ponto comercial, a alteração ocorrerá por meio de mudanças societárias, mantendo o CNPJ ativo.
Além disso, o Código Civil, em seu art. 1.146, estabelece que:
Art. 1.146. O adquirente do estabelecimento responde pelo pagamento dos débitos anteriores à transferência, desde que regularmente contabilizados, continuando o devedor primitivo solidariamente obrigado pelo prazo de um ano, a partir, quanto aos créditos vencidos, da publicação, e, quanto aos outros, da data do vencimento.
Por essa razão, a comunicação transparente, a auditoria prévia e a correta regularização documental são essenciais para evitar passivos ocultos e garantir uma transição segura e juridicamente eficaz.
Quando é necessário recorrer a um advogado ou contador?
Embora alguns tentem realizar a transferência por conta própria, a operação envolve obrigações legais que podem gerar prejuízos significativos se forem negligenciadas.
Um advogado é essencial para avaliar cláusulas contratuais, confirmar a legalidade da transferência e elaborar o contrato corretamente.
Já o contador auxilia na conferência do faturamento, na apuração do valor justo do negócio e na regularização fiscal.
A atuação conjunta desses profissionais garante que o negócio seja concluído com segurança, evitando riscos ocultos e responsabilizações inesperadas para qualquer uma das partes envolvidas.
Conclusão
Passar um ponto comercial exige muito mais do que simplesmente entregar as chaves ou negociar um valor.
Trata-se da transferência de um estabelecimento empresarial completo, regulado por normas específicas que exigem atenção e acompanhamento profissional.
Quando bem conduzido, o processo garante segurança para o vendedor, proteção ao comprador e continuidade saudável do negócio.
No entanto, sem a devida orientação, podem surgir dívidas desconhecidas, problemas contratuais e perda do próprio ponto. Por isso, agir com cautela e respaldo jurídico é a melhor forma de assegurar uma negociação tranquila e eficaz.
É importante lembrar que as informações aqui apresentadas não substituem a orientação jurídica personalizada, e para obter informações mais detalhadas sobre o assunto tratado neste artigo, é aconselhável consultar um advogado especialista.
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