Como Processar Erro Medico
- Mota Tobias

- há 12 minutos
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Situações envolvendo erro médico costumam gerar forte impacto emocional, físico e financeiro na vida do paciente e de sua família.
A frustração diante de um tratamento malsucedido, somada à sensação de injustiça, leva muitas pessoas a questionarem quais caminhos legais podem ser adotados.
No entanto, processar um médico ou uma instituição de saúde não é simples nem automático.
Existem critérios jurídicos rigorosos, etapas técnicas e provas específicas que precisam ser observadas para que o direito seja reconhecido de forma legítima e responsável.

O que realmente caracteriza o erro médico?
Antes de qualquer providência judicial, é essencial compreender que nem todo resultado negativo configura erro médico. O erro ocorre quando o profissional atua com negligência, imprudência ou imperícia, afastando-se do padrão técnico esperado para aquele caso concreto. Esse conceito encontra respaldo no ordenamento jurídico brasileiro, especialmente no artigo 186 do Código Civil, que dispõe:
Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito.
Assim, é indispensável demonstrar que houve falha na conduta profissional e não apenas uma complicação previsível ou risco inerente ao tratamento.
O Judiciário não pune o insucesso terapêutico, mas a atuação inadequada que gera dano evitável ao paciente.
Quais provas são indispensáveis para ingressar com a ação?
A prova é o elemento central de qualquer processo por erro médico, pois é a partir dela que se reconstrói o que ocorreu durante o atendimento.
Prontuários médicos completos, exames, laudos, receitas e relatórios hospitalares formam a base documental do caso.
Além disso, registros de imagens, mensagens, e até testemunhos podem auxiliar na compreensão dos fatos. Sem essa documentação, a ação tende a ser fragilizada.
Portanto, o paciente deve agir com cautela e organização, solicitando oficialmente cópias dos documentos e preservando tudo o que possa demonstrar o dano sofrido.
Por que a perícia médica judicial é tão importante?
A perícia médica judicial ocupa papel decisivo nesse tipo de processo, pois é ela que traduz questões técnicas para o juiz.
O perito, profissional imparcial nomeado pelo Judiciário, analisará documentos, procedimentos adotados e a evolução clínica do paciente.
A partir disso, ele responderá se houve falha profissional e se existe nexo causal entre a conduta médica e o dano alegado.
Sem essa ligação direta, a ação dificilmente prospera. Assim, a perícia funciona como o elo entre o conhecimento médico e a decisão jurídica, influenciando fortemente o desfecho do processo.
Qual o papel do advogado especializado em erro médico?
Diante da complexidade técnica e jurídica envolvida, a atuação de um advogado especializado é indispensável.
Esse profissional será responsável por avaliar a viabilidade do caso, identificar o tipo de responsabilidade aplicável e definir a estratégia adequada.
Além disso, ele orienta o paciente quanto à produção de provas, acompanha a perícia e conduz o processo de forma técnica.
A ausência dessa especialização pode comprometer seriamente a demanda, já que erros médicos exigem conhecimento aprofundado tanto do Direito quanto da dinâmica dos serviços de saúde.
É possível denunciar o médico antes ou além do processo judicial?
Paralelamente à ação judicial, o paciente pode apresentar denúncia ética perante o Conselho Regional de Medicina do estado onde ocorreu o atendimento.
Essa via não tem como objetivo indenizar, mas apurar eventual infração ética cometida pelo profissional.
A apuração administrativa pode resultar em advertência, suspensão ou até cassação do registro profissional.
Embora independentes, o processo ético e o judicial podem se complementar, pois a apuração no conselho ajuda a esclarecer fatos e reforça a seriedade da alegação perante o Judiciário.
Quais indenizações podem ser buscadas em um processo por erro médico?
Quando comprovado o erro médico, a indenização pode abranger diferentes naturezas de dano.
Os danos materiais dizem respeito a gastos com tratamentos, cirurgias corretivas e perda de renda. Já os danos morais compensam o sofrimento psicológico, a angústia e a violação da dignidade do paciente.
Em determinadas situações, também podem ser reconhecidos danos estéticos, quando há deformidades permanentes. O valor não é fixo e depende da gravidade do dano, da extensão das sequelas e do impacto na vida da vítima, sendo arbitrado pelo juiz de forma proporcional.
Conclusão
Processar um erro médico é um caminho possível, porém exige responsabilidade, paciência e sólida fundamentação técnica.
Não se trata de punir o profissional por todo desfecho desfavorável, mas de buscar reparação quando há falha comprovada e dano injusto.
A reunião adequada de provas, a perícia judicial e o acompanhamento por advogado especializado são pilares desse tipo de ação.
Assim, o paciente fortalece sua posição jurídica e contribui para um sistema de saúde mais responsável, no qual direitos são respeitados e a atuação profissional é permanentemente qualificada.
É importante lembrar que as informações aqui apresentadas não substituem a orientação jurídica personalizada, e para obter informações mais detalhadas sobre o assunto tratado neste artigo, é aconselhável consultar um advogado especialista.
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