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Inquilino Saiu e Deixou Contas Sem Pagar

  • Foto do escritor: Mota Tobias
    Mota Tobias
  • 18 de dez. de 2025
  • 4 min de leitura

Quando um inquilino desocupa o imóvel e deixa contas de consumo ou encargos pendentes, o proprietário se vê diante de uma situação que mistura preocupação financeira e insegurança jurídica.


Entender exatamente quem deve pagar, quando é possível responsabilizar o antigo locatário e como proceder diante das concessionárias é essencial para evitar prejuízos.


Além disso, a legislação, a jurisprudência e as garantias contratuais exercem papel decisivo na solução.


Antes de agir impulsivamente, é preciso compreender como a lei trata essas dívidas e qual o caminho mais seguro para recuperar valores e restabelecer a normalidade.


inquilino deixou contas
Veja como fazer se o inquilino saiu e deixou contas sem pagar.

As contas deixadas pelo inquilino são responsabilidade de quem?

A primeira dúvida que surge envolve a natureza das contas de consumo. A Lei do Inquilinato (Lei nº 8.245/1991) estabelece que o locatário é responsável pelas despesas de água, luz, gás, esgoto e telefone.


Isso está previsto expressamente no art. 23, VIII, que determina como obrigação do locatário:


Art. 23. O locatário é obrigado a:


VIII - pagar as despesas de telefone e de consumo de força, luz e gás, água e esgoto;


Dessa forma, essas dívidas não acompanham o imóvel, mas sim o usuário que efetivamente consumiu o serviço.


Isso significa que a concessionária não deve atribuir esses débitos ao proprietário nem impedir a religação por contas antigas, já que a responsabilidade correta recai sobre o titular que utilizou o serviço.


A concessionária pode negar o serviço por causa da dívida antiga?

Embora muitos proprietários temam esse cenário, o entendimento jurídico é claro: a empresa não pode recusar o fornecimento por débitos contraídos pelo ocupante anterior.


O Superior Tribunal de Justiça consolidou essa posição ao decidir que contas de água e energia têm natureza pessoal, cabendo cobrança exclusivamente ao titular.


Assim, o novo morador, seja proprietário ou novo inquilino, não pode ser punido pela inadimplência de terceiros.


No entanto, caso o serviço ainda esteja no nome do proprietário e existam débitos, a concessionária pode associar a dívida ao CPF dele, exigindo uma atuação rápida para regularizar a titularidade e evitar negativação indevida.


O que fazer quando o inquilino deixa contas de luz, água ou gás sem pagar?

Diante dessa situação, o proprietário deve reunir documentos como contrato de locação, vistoria de saída, fotos e registros que comprovem o fim da ocupação.


Em seguida, é recomendado comparecer às concessionárias com o contrato em mãos e solicitar que as dívidas sejam transferidas para o CPF do verdadeiro responsável, já que o consumo ocorreu enquanto ele ocupava o imóvel.


Caso a empresa se recuse, o locador pode pagar os débitos para restabelecer o serviço e, posteriormente, ingressar com ação judicial de ressarcimento, apresentando o contrato como prova das datas de entrada e saída do inquilino inadimplente.


Como funciona a cobrança de aluguéis, IPTU e condomínio atrasados?

Diferentemente das contas de consumo, os encargos locatícios, como aluguel, condomínio e IPTU, são obrigações claramente previstas no contrato e podem ser cobradas do inquilino e do fiador.


O contrato de locação é um título executivo extrajudicial, permitindo que o proprietário ingresse diretamente com ação de execução para recuperar valores sem necessidade de um processo longo de conhecimento.


Também é possível utilizar caução, seguro-fiança ou depósito de garantia para abater parte dos débitos.


No entanto, quando esses valores não cobrem os prejuízos, a via judicial se torna a alternativa necessária.


Como a prova influencia a recuperação dos valores?

A boa documentação é o elemento mais determinante para solucionar o problema. Um contrato bem elaborado, somado à vistoria completa, comprovantes de comunicação, notificações enviadas ao inquilino e registros do estado do imóvel fortalecem a posição do proprietário.


Esses documentos demonstram a existência de dívida, o período de ocupação e a responsabilidade do locatário. Sem eles, a discussão pode se tornar mais complexa e resultar em maior dificuldade para responsabilizar o antigo morador.


Por isso, manter uma gestão documental organizada evita prejuízos e assegura suporte jurídico eficaz em eventuais ações de cobrança.


Quando é necessário entrar na Justiça?

O processo judicial se torna inevitável quando não há acordo amigável, quando as concessionárias se negam a transferir o débito ou quando o inquilino simplesmente ignora tentativas de pagamento.


A ação pode ser de cobrança, execução ou ressarcimento, dependendo do tipo de dívida.


Com base na documentação, o juiz pode determinar bloqueio de bens e valores do devedor, além de responsabilizar fiadores.


Embora seja possível resolver parte das situações administrativamente, recorrer ao Judiciário garante segurança jurídica, evita agravamento das dívidas e restabelece o equilíbrio contratual violado pela inadimplência.


Conclusão

Quando um inquilino deixa contas e encargos pendentes, o problema pode parecer grande, mas a legislação oferece instrumentos sólidos para proteger o proprietário.


Compreender a diferença entre dívidas pessoais e encargos locatícios, registrar corretamente a saída do inquilino e agir rapidamente diante das concessionárias e do devedor evitam prejuízos desnecessários.


Além disso, um contrato claro e completo reduz conflitos e facilita a cobrança. Assim, com informações corretas e uso adequado dos meios administrativos e judiciais, o proprietário consegue recuperar valores e garantir maior tranquilidade nas próximas locações.


É importante lembrar que as informações aqui apresentadas não substituem a orientação jurídica personalizada, e para obter informações mais detalhadas sobre o assunto tratado neste artigo, é aconselhável consultar um advogado especialista.


Nossa equipe está pronta para oferecer serviços de consultoria e assessoria para clientes em todo o Brasil. Para entrar em contato, basta nos enviar uma mensagem no What'sApp.


Além disso, se você tiver dúvidas sobre outros assuntos relacionados ao direito imobiliário, acesse nosso Blog Jurídico.

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