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O Que é Earnout?

6 de ago.
4 min de leitura

A compra e venda de empresas vai além da definição de um preço. Frequentemente, comprador e vendedor divergem sobre o valor do negócio, sobretudo quando seu potencial depende de resultados futuros. 


Para reduzir essas incertezas e equilibrar interesses, o Direito Empresarial utiliza mecanismos como o earnout. 


Amplamente empregado em operações de fusões e aquisições, esse instituto ainda gera dúvidas quanto ao seu funcionamento, benefícios e riscos.


Earnout
Veja mais sobre Earnout.

Por que o comprador e o vendedor nem sempre concordam sobre o preço da empresa?

Em operações de fusões e aquisições, é comum que o vendedor atribua à empresa um valor superior ao que o comprador está disposto a pagar. 


Afinal, quem construiu o negócio costuma enxergar seu potencial de crescimento, enquanto o adquirente analisa riscos, passivos, concorrência e projeções econômicas antes de investir. 


Diante dessa diferença de percepção, o earnout surge como um mecanismo contratual capaz de aproximar as expectativas das partes. 


Em vez de definir integralmente o preço no fechamento da operação, parte do valor permanece condicionada ao desempenho futuro da empresa, permitindo uma divisão mais equilibrada dos riscos.


Como funciona o earnout na prática?

Em regra, o contrato estabelece que uma parcela do preço será paga imediatamente, enquanto outra dependerá do cumprimento de metas previamente definidas. 


Essas metas podem estar relacionadas ao faturamento, lucro, EBITDA, geração de caixa, número de clientes ou qualquer outro indicador objetivo considerado relevante para o negócio. 


Caso os resultados sejam alcançados dentro do período estipulado, o vendedor recebe o valor adicional previsto. 


Se isso não ocorrer, a parcela variável poderá ser reduzida ou até mesmo deixar de ser paga, conforme as condições expressamente estabelecidas pelas partes.


Quais são as principais vantagens dessa cláusula?

Além de aproximar as expectativas quanto ao preço da empresa, o earnout oferece benefícios importantes para ambos os lados da negociação. 


Para o comprador, representa uma forma de reduzir o risco de pagar antecipadamente por um desempenho que talvez nunca se concretize. 


Já para o vendedor, cria a possibilidade de receber um valor superior caso as projeções otimistas realmente se confirmem. 


Em muitos casos, o mecanismo também incentiva a permanência dos antigos sócios na gestão durante o período de transição, favorecendo a continuidade das operações e a preservação do valor do negócio adquirido.


O earnout pode gerar conflitos entre as partes?

Embora seja considerado uma solução eficiente para reduzir divergências na fase de negociação, o earnout frequentemente se transforma em fonte de litígios após a conclusão da aquisição. 


Isso ocorre porque, uma vez transferido o controle da empresa, o comprador passa a tomar as decisões estratégicas que podem influenciar diretamente o cumprimento das metas estabelecidas. 


Alterações na política comercial, investimentos, reorganizações internas ou mudanças na forma de contabilização dos resultados podem afetar o desempenho esperado, dando origem a discussões sobre eventual frustração indevida do pagamento previsto no contrato.


O comprador possui deveres em relação ao cumprimento das metas?

A resposta tende a ser positiva. A boa-fé objetiva, princípio fundamental do Direito Contratual brasileiro, impõe às partes deveres de lealdade, cooperação e comportamento compatível com a finalidade do contrato. 


Dessa forma, entende-se que o comprador não pode praticar atos destinados a impedir artificialmente o cumprimento das metas do earnout. 


Inclusive, parte da doutrina e da jurisprudência sustenta que existe um dever implícito de adotar medidas razoáveis para preservar as condições originalmente consideradas na negociação. 


Caso haja comportamento abusivo ou ilícito, poderá surgir o direito à reparação dos prejuízos sofridos pelo vendedor.


Como reduzir os riscos na elaboração da cláusula de earnout?

A melhor forma de evitar conflitos é elaborar uma cláusula extremamente precisa. As metas devem ser objetivas, mensuráveis e acompanhadas de critérios claros de apuração, indicando os indicadores financeiros utilizados, o período de avaliação, as regras contábeis aplicáveis e os eventos que poderão influenciar o cálculo. 


Também é recomendável disciplinar a forma de fiscalização dos resultados, o acesso do vendedor às informações necessárias e os mecanismos de solução de controvérsias, especialmente porque muitas operações de fusões e aquisições submetem essas discussões à arbitragem, em razão da especialização e da confidencialidade desse procedimento.


Conclusão

Percebe-se que o earnout representa muito mais do que uma simples forma de parcelamento do preço da empresa. 


Trata-se de um sofisticado mecanismo jurídico destinado a equilibrar riscos, alinhar interesses e permitir que o valor definitivo da operação seja influenciado pelos resultados futuros do negócio. 


Contudo, sua eficiência depende diretamente da qualidade da redação contratual e da observância da boa-fé pelas partes durante toda a execução do contrato. 


Assim, uma cláusula bem estruturada reduz incertezas, fortalece a segurança jurídica e contribui para o sucesso das operações de fusões e aquisições.


É importante lembrar que as informações aqui apresentadas não substituem a orientação jurídica personalizada, e para obter informações mais detalhadas sobre o assunto tratado neste artigo, é aconselhável consultar um advogado especialista. 


Nossa equipe está pronta para oferecer serviços de consultoria e assessoria para clientes em todo o Brasil. Para entrar em contato, basta nos enviar uma mensagem no What'sApp. 


Além disso, se você tiver dúvidas sobre outros assuntos relacionados ao direito empresarial, acesse nosso Blog Jurídico.

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