Pode Pedir a Prescrição de um Processo Com Quanto Tempo?
- Mota Tobias

- 29 de dez. de 2025
- 3 min de leitura
A passagem do tempo exerce papel decisivo no Direito, especialmente quando se trata da possibilidade de exigir judicialmente um direito.
Muitas pessoas acreditam que um processo pode ser ajuizado ou mantido indefinidamente, mas o ordenamento jurídico brasileiro impõe limites temporais claros para evitar insegurança e instabilidade nas relações sociais.
Nesse contexto, a prescrição surge como um instrumento essencial para equilibrar interesses, punindo a inércia e incentivando o exercício responsável dos direitos.
Compreender quando e como é possível pedir a prescrição é fundamental para quem deseja agir de forma estratégica e juridicamente segura.

O que significa pedir a prescrição de um processo?
Pedir a prescrição de um processo significa alegar que o direito de exigir judicialmente determinada pretensão se perdeu em razão do decurso do tempo aliado à inércia do titular.
A prescrição não extingue o direito material em si, mas impede que ele seja cobrado por meio do Poder Judiciário.
Assim, ainda que o fato tenha ocorrido, a proteção jurisdicional deixa de existir. Esse instituto tem como finalidade garantir estabilidade jurídica, evitando que conflitos antigos sejam reavivados indefinidamente.
Portanto, a prescrição atua como um limite temporal legítimo ao direito de ação.
Existe um prazo único para pedir a prescrição?
Não existe um prazo único aplicável a todos os casos. O Código Civil estabelece um prazo geral de dez anos, conforme o artigo 205, para as situações em que a lei não prevê prazo específico.
Art. 205. A prescrição ocorre em dez anos, quando a lei não lhe haja fixado prazo menor.
Contudo, o próprio ordenamento jurídico fixa prazos menores para determinadas pretensões, como um, dois, três, quatro ou cinco anos, a depender da natureza do direito discutido.
Dívidas líquidas, reparação civil, honorários profissionais e aluguéis, por exemplo, possuem prazos próprios.
Dessa forma, identificar corretamente o tipo de relação jurídica é essencial para definir o prazo prescricional aplicável.
Quando começa a contar o prazo da prescrição?
O prazo prescricional começa a correr a partir do momento em que o direito é violado, ou seja, quando nasce a pretensão.
Esse marco inicial é fundamental para o cálculo correto do tempo. Em regra, não se conta o prazo a partir da assinatura de um contrato, mas sim do descumprimento da obrigação.
Em algumas hipóteses, a lei prevê critérios específicos, como o vencimento da prestação ou a ciência inequívoca do dano.
Assim, compreender o fato gerador da pretensão evita erros graves que podem comprometer a possibilidade de pedir a prescrição de forma válida.
É possível pedir a prescrição durante o andamento do processo?
Sim, é plenamente possível pedir a prescrição mesmo após o processo já ter sido iniciado.
Além da prescrição da pretensão inicial, existe a chamada prescrição intercorrente, que ocorre quando o processo permanece paralisado por longo período em razão da inércia da parte interessada.
No processo civil, por exemplo, após a suspensão por falta de bens do devedor, conta-se novo prazo prescricional, geralmente de cinco anos para dívidas líquidas. Importante destacar que a prescrição pode ser alegada em qualquer fase do processo, inclusive em grau de recurso.
O juiz pode reconhecer a prescrição sem pedido da parte?
A legislação atual permite que o juiz reconheça a prescrição de ofício, ou seja, independentemente de provocação das partes.
O Código de Processo Civil de 2015 reforçou essa possibilidade, inclusive autorizando o julgamento liminar de improcedência quando a prescrição for evidente.
Contudo, como regra, deve ser assegurado o contraditório, permitindo que as partes se manifestem antes da decisão definitiva.
Essa previsão busca conciliar eficiência processual com respeito às garantias fundamentais, evitando que processos manifestamente prescritos se prolonguem sem necessidade.
Conclusão
Pedir a prescrição de um processo depende da análise cuidadosa do tipo de direito envolvido, do prazo legal aplicável e do momento em que a pretensão surgiu ou permaneceu inerte.
Não há um tempo único válido para todos os casos, pois o ordenamento jurídico estabelece múltiplos prazos conforme a natureza da relação jurídica.
Além disso, a prescrição pode ser alegada a qualquer tempo e até reconhecida de ofício pelo juiz.
Diante dessa complexidade, o conhecimento técnico e a orientação jurídica especializada são essenciais para identificar corretamente a ocorrência da prescrição e utilizá-la como instrumento legítimo de defesa.
É importante lembrar que as informações aqui apresentadas não substituem a orientação jurídica personalizada, e para obter informações mais detalhadas sobre o assunto tratado neste artigo, é aconselhável consultar um advogado especialista.
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